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quarta-feira, 4 de março de 2015

Os Lusíadas (Análise da Proposição)


  • 1ªparte (estâncias 1 e 2)
    • o poeta pretende apresentar o assunto do poema: propõe-se cantar os heróis que enfrentaram o mar e formaram um novo reino, os reis que dilataram a Fé e o Império e aqueles que se tornaram imortais na memória dos homens pelos feitos ilustres que realizaram
  • 2ªparte (estância 3)
    • o poeta canta a glória do povo português, que ultrapassou as façanhas contadas nos poemas greco-romanos
Apontamentos das margens dos livros
  • o poeta propõe-se cantar
    • os heróis
      • "As armas e os barões assinalados/Que da Ocidental praia Lusitana/Por mares nunca de antes navegados/Passaram ainda além da Taprobana"
      • "E entre gente remota edificaram Novo Reino"
    • os homens imortalizados
      • "E aqueles que por obras valerosas/Se vão da lei da Morte libertando"
    • os reis
      • "E também as memórias gloriosas/Daqueles Reis que foram dilatando/A Fé, o Império, e as terras viciosas"
  • planos da narrativa:
    • plano da viagem
      • "Por mares nunca de antes navegados/Passaram ainda além da Taprobana"
    • plano da história de Portugal
      • "E também as memórias gloriosas/Daqueles Reis que foram dilatando"
    • plano do poeta
      • "Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte."
      • "Que eu canto o peito ilustre Lusitano"
    • plano dos deuses
      • "A quem Neptuno e Marte obedeceram."
  • o porquê da epopeia e a provação do valor do povo português
    • o poeta canta os feitos grandiosos dos portugueses porque estes merecem ser exaltados mais do que os que foram cantados nas epopeias clássicas
  • recursos expressivos
    • "Ocidental praia lusitana"
      • sinédoque (substituição de uma palavra por outra de expressão desigual/ a parte pelo todo ou vice-versa)
      • perífrase (dizer por várias palavras aquilo que poderia ser dito por apenas uma
    • conjugação perifrástica
      • ex: foram dilatando/ andaram devastando/ se vão libertando
      • significa a realização gradual da ação




Os Lusíadas (Proposição)

1 As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2 E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 3 Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Os Lusíadas (Estrutura)

  • Estrutura externa:
    •  Os Lusíadas estão divididos em dez cantos
    • Cada canto tem um número variável de estrofes, que, no total, somam 1102.

    • O poema está escrito em versos decasssilábicos. (com predomínio do decassílabo heróico: acentuação na 6ª e 10ª sílabas).

    • As estrofes são todas oitavas (agrupadas de 8 em 8)

    • O esquema rimático é: "abababcc" (rimas cruzadas, nos seis primeiros versos, e emparelhada, nos dois últimos).


  • Estrutura interna:
    • Proposição - O poeta começa por declarar aquilo que se propõe fazer, indicando de forma breve o assunto da sua narrativa. Propõe-se "cantar" (narrar em verso=EPOPEIA) e glorificar os heróis e a história de Portugal.


    • Inovação - O poeta pede auxílio às entidades superiores (como as Tágides (ninfas do Tejo) e os deuses), para lhes pedir o estilo e eloquência necessários à execução da sua obra; um assunto tão grandioso exigia um estilo elevado, uma eloquência superior; daí a necessidade de solicitar o auxílio das entidades protectoras dos artistas (a Musa).


    • Dedicatória - É a parte em que o poeta oferece a sua obra ao rei D. Sebastião. A dedicatória não fazia parte da estrutura das epopeias primitivas; trata-se de uma inovação posterior, que reflete o estatuto do artista, intelectualmente superior, mas social e economicamente dependente de um mecenas, um protector.


    • Narração - Constitui o núcleo fundamental da epopeia. Aqui, o poeta procura concretizar aquilo que se propôs fazer na "proposição".